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Retomada gradual das atividades em Campinas



Campinas começou ontem (8) o afrouxamento nas medidas de restrições imposta pelo novo coronavirus. O comércio de rua, shoppings, serviços e até igrejas podem reabrir a partir de hoje, de forma reduzida, após mais de 70 dias fechados.

Por um lado a medida causa alívio para o setor econômico, porém de outro aumenta a preocupação já que a flexibilização acontece em um momento complicado com o aumento de casos em uma semana e também de mortes pela doença. Até o último balanço divulgado no sábado (6) Campinas somava 2.632 casos com 100 mortes. Só na última semana foram 1.062 novos casos, quase três vezes mais do que na semana anterior. Também foram confirmadas mais 27 mortes, um aumento de 35% se comparado a semana anterior. Confira aqui os números da covid-19 divulgados na manhã desta segunda-feira em Campinas. 

Com esses números nada indica que o município tenha atingido o pico da doença. Já a taxa de ocupação dos leitos de UTI na rede pública tem ficado em média acima dos 80%. Porém, a Prefeitura parou de divulgar nos últimos dias os números de ocupação desses leitos, o que pode causar desconfiança.

"A crítica que pode acontecer é se será que é certo este momento, será que não é? Bom, nos temos que fazer algumas coisas, mensurar, dimensionar o comportamento dos pacientes doentes e que vão ser acometidos, principalmente o comportamento dos leitos hospitalares, na utilização dos leitos hospitalares que vão ser o parâmetro para manter ou não essa flexibilização. Se for preciso a gente volta e aplica as medidas de restrição de convívio social que é o que hoje sabemos que diminui a transmissibilidade dessa doença", afirmou o presidente da Rede Mário Gatti Marcos Pimenta afirmou em entrevista a EPTV.

Um estudo da Unicamp baseado nos casos da cidade aponta que esse não seria o momento mais adequado para a reabertura (leia mais abaixo).

CLASSIFICAÇÃO

Campinas foi classificada pelo Estado com a cor laranja que coloca a cidade na segunda fase da flexibilização. Entre as regras para a reabertura os comércios deverão funcionar por quatro horas e com apenas 20% da circulação normal e com a adoção de procedimentos de higiene. A cidade tem também a liberação de atividades religiosas com restrições.

Pelas ruas as opiniões ainda se dividem se realmente agora é a hora disso acontecer. "A gente está precisando mesmo dessa reabertura né. Mas desde que as pessoas sejam conscientes", afirmou Wilson Gomes. "Acho que ainda é prematuro porque está acontecendo muitos casos e mortes. Deveria segurar mais tempo", disse José Aldo Santos.

Na semana passada o Município publicou o decreto com as regras da reabertura. O comércio de rua, que inclui galerias e similares, poderá abrir das 12h às 16h, atendendo com 20% da capacidade. Os shoppings centers poderão funcionar das 16h às 20h, com 20% da capacidade. Mesmo dentro dos shoppings, ainda não poderão funcionar praças de alimentação, cinemas, teatros, academias, salões de beleza e serviços de valet.

Igrejas e templos poderão funcionar, com 20% da capacidade, por quatro horas, mas o horário poderá ser estipulado por cada um. Eventos religiosos, culturais e educativos, como escolas bíblicas ou festas juninas, por exemplo, estão vetados. Está proibida a participação de pessoas com mais de 60 anos e/ou com doenças crônicas.

Escritórios, como os de advocacia, contabilidade, imobiliárias, engenharia, arquitetura e turismo, por exemplo, podem funcionar por quatro horas seguidas e atender com 20% da capacidade.

Os estabelecimentos autorizados a retomar as atividades com público devem seguir todas as medidas sanitárias para garantir a higiene, evitar aglomeração de pessoas para combater a disseminação do coronavírus, como manter distância de, no mínimo, 1,5 metro entre as pessoas; disponibilizar álcool em gel; marcar o distanciamento no solo; exigir o uso de máscaras por funcionários e clientes e dispensar do trabalho in loco funcionários com possíveis sintomas, que tenham doenças crônicas e/ou mais de 60 anos.

Quem não cumprir as regras poderá ser multado em R$ 1.446, 44. Em caso de reincidência, o valor da multa será dobrado. Na terceira autuação, o estabelecimento ficará fechado até o fim da quarentena.

Os estabelecimentos devem emitir, gratuitamente, a Declaração de Estabelecimento Responsável, um certificado de responsabilidade que deve ser solicitado online, após inscrição e rápida capacitação, pelo portal da Prefeitura no https://ead-covid19.campinas.sp.gov.br/ .

O prefeito Jonas Donizette disse que até a sexta-feira dia, 12 de junho, avaliará se a cidade terá condições de manter, ampliar ou recuar, caso necessário, da reabertura dos serviços.

ESTUDO 

Uma simulação matemática realizada por pesquisadores ligados ao CeMEAI (Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústrias) da Unicamp vai na contramão do plano apresentado pelo Estado e pelo município de Campinas, para a flexibilização do comércio a partir desta segunda-feira (8) na cidade.

O estudo, desenvolvido como um sistema de simulação para traçar diferentes cenários de isolamento nas cidades do Estado, estima previsões de períodos de abertura e fechamento do comércio, conforme as características da propagação do novo coronavírus nos municípios.

Na simulação, em nenhum dos cenários probabilísticos haveria a flexibilização nesse momento como vai acontecer, e muito pelo contrário, aponta ainda, uma necessidade de fechamento severo das cidades para evitar a propagação maior do coronavírus.

Segundo a estimativa matemática, Campinas precisaria de um isolamento severo até o dia 22 de julho. Com essa medida, segundo a probabilidade matemática, a cidade teria períodos seguidos de liberações graduais, e a liberação total aconteceria até o final do ano. Isso também deveria ser seguido pelas principais cidades polos do Interior.

Segundo o professor Paulo José Silva, do Imecc (Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica) o sistema foi criado com base em dados epidemiológicos oficiais, para definir ações e antever o futuro. Essa é a principal diferença entre a simulação e a medida tomada pelo governo.

"O sistema tem uma postura reativa, de olhar o passado visando o futuro, definir ações pensando no que está por vir. É um método que analisa como teriam que ser feitas as estratégias de isolamento, e essa é a principal diferença. As medidas tomadas pelo governo pensam na doença, do que já tivemos até agora, já o estudo vê a previsão daqui para frente. Um olha para trás, outro pensa no amanhã, no que vai colher com isso", explicou Silva. (Confira o estudo completo aqui).

ÔNIBUS

Para acompanhar essa retomada das atividades econômicas a Prefeitura começou hoje a medir a temperatura de usuários do transporte coletivo dentro dos terminais na cidade. O prefeito Jonas Donizette (PSB) informou que passageiros que forem medidos com ou acima de 38ºC de temperatura corporal serão impedidos de entrarem nos coletivos e serão orientados a procurarem uma unidade de saúde. Ele também afirmou que aumentará a frota de ônibus para dar conta do aumento da demanda a partir de hoje (leia mais aqui). 

Via A Cidade On

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